4 filmes sobre Relacionamento à Distância

Feriadão já foi, as férias de muita gente tão acabando e sempre rola aquele amor de verão. Conheceu na praia, na chuva, no campo ou na fazenda e agora cada um mora numa ponta do mapa, mas a coisa foi tão intensa que não dá pra terminar esse amor eterno de 5 dias com um valeu, foi bom, adeus. Tô errada?

Saudade é um sentimento bem familiar pra mim. Passei grande parte da minha vida mudando de cidade, estado e já mudei até de país. Sei exatamente como é deixar alguém do outro lado e quando esse alguém é, aparentemente, o grande amor da sua vida, a coisa fica ainda mais intensa!

Quando vejo filmes com esse tema tenho a sensação de estar espiando o espelho pelo buraco da fechadura. Por outro lado também é reconfortante saber que outros casais também passam por isso mesmo quando todos ao redor insistem em dizer que não vale a pena. A gente que sabe o que não vale e o que vale a pena, não é mesmo?!

Por isso separei quatro filmes muito fofos que retratam a vida de casais que querem ficar juntos, mas têm que encarar muitos quilômetros, mala e saudade.

1. Like Crazy • Loucamente Apaixonados (2011)


Anna (Felicity Jones) é uma estudante britânica intercambista nos Estados Unidos. Lá conhece Jacob (Anton Yelchin), um americano, por quem se apaixona perdidamente. Os dois engatam num romance e Anna decide prolongar a estadia no país, mesmo com o visto expirado, o que lhe rende problemas com a imigração. Impedida de retornar aos EUA por um longo período, Anna e Jacob tentam fazer dar certo um relacionamento mesmo morando em continentes diferentes.

O filme tem um ritmo lento, boa parte dos diálogos são improvisados (!). É pungente, real. Só pra lembrar (e não tô dando spoiler!): este é um filme sobre amor, não uma comédia romântica.

Choro só de ver o trailer. Ainda bem que só assisto sozinha, no escuro do meu quarto, porque eu simplesmente fico com a cara inchada. É como se toda a dor e sofrimento dos personagens fossem palpáveis… Dá pra entender? E tem a trilha que por favooooorrr! O que a versão de I Can’t Help Falling in Love da Ingrid Michaelson? Deu até vontade de ver de novo!

2. Puzzled Love • Amor em Pedaços (2010)

Sun (Saras Gil), uma garota americana, e Lucas (Marcel Borràs), um espanhol, se conhecem quando viram flatmates durante o Erasmus (programa financiado pela União Européia o qual estudantes recebem bolsas para estudar em outros países durante o mestrado e doutorado) em Barcelona. A amizade vira algo mais, mas os dois sabem que o romance tem prazo de validade: 13 meses. Apesar disso o casal decide aproveitar todos os segundos juntos.
O longa é um projeto de alunos do curso de diretores da Escola de Cinema e Audiovisual da Catalunha. A ideia foi que cada aluno ficasse responsável pelo roteiro e direção de um dos 13 meses vividos pelos protagonistas. A ideia tinha tudo pra ser um fracasso, afinal, é muito diretor pra pouco filme, mas eu gostei. Achei ousado e as mudanças nítidas de direção deram um ritmo diferente pra história.

3. Going the Distance • Amor à Distância (2010)

Erin (Drew Barrymore) tinha ainda seis semanas de estágio em Nova York quando conhece Garrett (Justin Long). Os dois decidem curtir sem compromisso, mas quando chega a hora de Erin voltar pra São Francisco, na outra ponta dos EUA, Garrett propõe um relacionamento à distância. Além de lidar com o fato de não viverem na mesma cidade, os dois precisam aprender a driblar o ciúme, carência, fuso horário e os amigos dele e a irmã dela que torcem contra essa loucura.

O filme é uma clássica comédia romântica fofinha e engraçada com todos aqueles clichês (do tipo sair com um amigo e não desgrudar do celular) que só quem já viveu um relacionamento à distância vai entender

4. Ponte Aérea (2014)

Esse filme entrou pra lista dos meus filmes brasileiros preferidos de todos os tempos! ♥♥♥ Quem diz que o cinema nacional é uma merda é porque ficou preso nas chanchadas da década de 60.
Ponte Aérea conta a história da paulista Amanda (Letícia Colin) e do carioca Bruno (Caio Blat) que se conhecem num hotel em Belo Horizonte quando têm o vôo com destino a São Paulo cancelado. Amanda é publicitária workaholic e está no auge da carreira, enquanto a vida de Bruno é um caos, ele nem imagina “o que quer ser quando crescer”. Os dois precisam driblar, além da distância, as diferenças. A história é fofa, as locações são demais e a velha rixa Rio x SP foge do óbvio. 
Posso contar um segredo? Quando o filme terminou eu assisti de novo! Assim mesmo, duas vezes seguidas.
E aí, você já viu algum filme sobre relacionamento à distância que não tá nessa lista? Se viu, por favor, me conta?!!!

A Todos Aqueles Que Não Enviaram

Você pegou o meu endereço e prometeu me escrever. Esperei, até mais do que deveria, imaginando sua caligrafia, o português sublime e as novidades adicionadas à muitas saudades.
Nada chegou. Ainda pensei em dar sinal de vida, um pedaço de papel escrito “Você me deve algo!” ou até mesmo mandar uma carta te contando tudo que se passava comigo enquanto a sua não chegava. Quem sabe você não se lembraria que eu ainda te esperava?
Meses se passaram. Não alguns, mas vários. Pensei em todas as desculpas possíveis para amenizar sua falta: fim de semestre na faculdade, muita cobrança no trabalho, visita da mãe… Falta de caneta e papel!
Minha espera foi em vão. No entanto já não espero mais nada, especialmente de você. Acredito que apesar de toda a pose, você realmente possa ter escrito algo, mas que por preguiça ou relaxo, não tenha enviado. Contudo, a essa altura, pouco me importa.
E a todos aqueles que passaram noites a fio pensando no que escrever. Em como deixar em cada entrelinha o verdadeiro significado daquela união de verbos e substantivos. E para cada frase, uma tentativa de não deixar transparecer paixão excessiva ou frieza absoluta. A tentativa de ser bem-humorado e frio harmonicamente, mas que por qualquer tolice ortográfica resolveu parar no meio do caminho, sem passar a limpo os inúmeros minutos escritos, faltando coragem para fechar o envelope e colar o selo.
Para os que arrumaram mil desculpas evitando percorrer o breve caminho entre a casa e o correio e se queixaram por não ter alguns centavos, só me resta lamentar a falta de educação com quem sempre esperará tal carta. Pois não é todo dia que alguém escreve e não envia, é? Talvez este seria o papel mais importante pra um, que ficou no fundo da velha gaveta de outro.
Agora, porém, seria insignificante. Depois de tantos dias, semanas e até meses, já me conformei, mesmo que indignada, com tamanho descaso. A curiosidade da dúvida preenche o vazio da dor. Mas ainda há uma intrigante pergunta: “E se tivesse enviado?”.

Desafio de Leitura 2016 (#DdL2016)

No último fim de semana minha amiga e soulmate intelectual Camila fez um post com 2 desafios literários pra 2016: um, o já conhecido Rory Gilmore Reading Challenge, e outro chamado 2016 Reading Challenge feito pelo site PopSugar. O primeiro eu já descartei de cara, não tenho fôlego pra ler tanto livro velho (são vários clássicos) que não me atraem. Já o segundo eu me propus a tentar.
O Reading Challenge não é uma lista de livros, mas de características que os livros lidos precisam ter, do tipo “ler um livro de capa azul” e “ler um livro escrito por um comediante”. Eu gostei porque no final do desafio cada um terá sua própria lista! Além disso, conseguir completar a lista vai ser, de fato, um desafio já que não são todos os itens que me agradam. Por exemplo, jamais leria voluntariamente um livro sobre memórias políticas ou ficção científica. Vai que eu gosto?
Como a lista tava em inglês, eu traduzi pra compartilhar aqui no blog (obrigada, de nada!), então precisei fazer algumas adaptações (tentei ser o mais proporcional possível):
  • acredito que o equivalente ao National Book Award, no Brasil, seja o Prêmio Jabuti
  • a revista que publica listas semanais dos livros mais vendidos no país é a Veja, mas a lista do New York Times tá aqui ó
  • não temos uma apresentadora de TV com um Clube do Livro legal (e nem com um ruim), mas a Stephanie, do blog Chez Noelle tem no Facebook um Clube do Livro. O grupo é fechado, mas é só pedir pra entrar

Toda vez que eu fizer um post com algum livro que entre nessa lista vou usar a #DdL2016.
Não faço ideia de qual livro escolher pra alguns itens. Se alguém for fazer, me conta? E, se puder, me dá umas dicas?

Boa sorte!

6 para 2016 (Janeiro)

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Ano passado escolhi 15 coisas que eu queria fazer em 2015. Não consegui realizar tudo por 2 motivos: o primeiro é que minha vida deu uma volta de 540° e o segundo é que 15 coisas é coisa pra caramba! Imagina você ter que realizar algo grandioso pelo menos uma vez por mês? Tsc, tsc, tsc… Muita ambição!
Resolvi ser mais modesta esse ano e separar 6 coisas randômicas (não precisa ser coisa grandiosa, sabe?) todo mês, acho que assim pode ser mais fácil de alcançar. Além disso, eu já cansei de dizer que adoro listas, sempre tenho várias listas mentais, mas quando a minha terapeuta perguntou quais eram meus planos pra 2016 eu achei que ficou meio vago e sem foco eu não vou conseguir realizar nada.
Então esses são os meus objetivos pra janeiro:
• regularizar meu título de eleitor
Esse é o tipo de coisa que a gente enrola, enrola e nunca resolve até precisar. Nas últimas eleições eu deixei pra transferir meu título (que é de Minas) e fazer o recadastramento biométrico no último dia. Coincidentemente toda a população da cidade teve a mesma ideia que eu. Conclusão? Fiquei irregular.

• entregar meu artigo

O último módulo da minha pós-graduação é dia 8 de janeiro e depois disso tenho mais 3 meses pra enviar meu artigo, fazer as alterações e mandar a última versão. Achei que as coisas seriam mais fáceis porque defini meu tema em novembro (aliás eu tava bem adiantada em relação a grande maioria da minha turma), mas na hora de colocar a mão na massa eu troquei os pés pelas mãos e vi que se eu não correr vou ter um problema parecido com esse do título de eleitor.

• voltar pra academia
Desde novembro eu tô me prometendo toda santa manhã (quando eu conseguia acordar de manhã) que eu volto. Na verdade sinto falta, eu era uma pessoa mais disposta e meu corpo respondia melhor quando eu malhava todos os dias. Dessa semana não passa! (Espero!).
• terminar Jessica Jones
Pre-ci-so terminar a primeira temporada, mas ela é tão maravilhosa que eu não sei como vou viver esperando a segunda.
• começar 1 livro novo e assistir 2 filmes
Não dá pra trabalhar, viver, malhar, estudar, dormir, comer e ainda ter a ambição de ler mais de 1 livro assistir mais de 2 filmes no mês. Como janeiro vai ser um mês de mudanças enormes na minha vida eu vou com calma, se eu sentir que dá pra fazer mais que isso vou adaptando.
• me informar sobre trabalho voluntário
Se tem uma coisa que eu quero fazer há muitoooo tempo é trabalho voluntário. Inclusive esse era um dos meus objetivos pro ano passado. Na verdade eu tenho um projeto montado na cabeça (e, modéstia à parte, acho que ele é bem legal), mas não faço ideia de como começar! Já sei até onde eu queria que ele funcionasse, mas não sei como e nem pra quem eu apresento as ideias. Tem que ser escrito ou só conversado? Tem contrato? Não sei! Preciso pesquisar, mas se alguém tiver lendo e quiser me dá uma luz eu agradeço.
Como eu disse, não são coisas extraordinárias, então acho que vou conseguir fazer tudo. Oremos!

Sobre o melhor ano da minha vida

Transformador. Se eu tivesse que definir esse ano, seria essa a palavra – embora gratidão também caísse muito bem.
Vi no Facebook muita gente doida pra ver 2015 pelas costas. Pra mim isso é história de quem acha que quando muda o calendário as coisas magicamente se transformam. De que quando chega dezembro já pode jogar os problemas pro ar e aguardar as soluções caírem no colo em janeiro – e como você deve imaginar, elas não caem. Digo isso porque eu mesma vivi assim por 27 anos, fazendo aquelas listinhas de promessas que a gente esquece na primeira quinzena do mês, até aprender que a mágica tava o tempo todo dentro de mim.
Eu sei que os últimos meses foram muito, muito pesados pra algumas pessoas. Especialmente em alguns pontos do mapa. Morte, tristeza, sofrimento, lágrimas. Dor iminente que 2015 teve a infelicidade de sediar. Obviamente não fiquei alheia a tudo isso, mas qual seria a minha contribuição pro mundo se eu deixasse que os piores momentos engolissem tudo de maravilhoso que esse ano representou pra mim?

Listei (de forma aleatória) 5 coisas que eu aprendi em 2015 que fizeram muita, mas muita diferença na minha vida. É claro que não são coisas que a gente aprende do dia pra noite, mas agora tudo isso tá tão enraizado em mim que fico me perguntando como sobrevivi tanto tempo sem considerar esses princípios.

1. O valor das coisas a gente é quem dá

Sempre fui uma pessoa consumista, desde pequena. Não sei se isso tem a ver com o jeito que eu fui criada (fui filha única e devidamente mimada até os 15 anos), ou se é mais uma coisa de sociedade ou geração. Quando voltei pra casa dos meus pais no início do ano me vi tendo que fazer um apartamento de 8 cômodos caber dentro do meu quarto e precisei me desfazer de muita coisa. Algumas por falta de espaço, outras por serem desnecessárias e outras porque não combinavam mais comigo.

Foi sofrido. Eu, que era tão ligada à bobagens do tipo tickets de cinema e rótulos de cerveja, papéis e coisinhas cheias de memórias, me vi jogando tudo no lixo. Não era uma escolha, era uma necessidade. Tirei foto de algumas coisas, meu coração apertou, mas sobrevivi! Desde então tenho feito a seguinte pergunta antes de acumular algo “Se minha casa tivesse pegando fogo e eu só pudesse salvar 1 coisa, o quê eu salvaria?”. Têm dado certo até agora.

2. Não precisa ter medo de crescer

Confesso que ser imatura nunca foi um problema pra mim. Sei lá, acreditava que ser maduro tinha mais a ver com responsabilidades chatas, ser cricri, ter contas infinitas pra pagar e olheiras fundas do que encarar a vida de forma mais sensata. Talvez fosse culpa da palavra, que por si só é pesada demais. Maturidade. 

Não estava pronta pra abrir mão do meu quarto lilás, da minha roupa de cama de cupcake (que veio com uma cartela de adesivos, btw) e das minhas roupas com estampas de gatinhos, guarda-chuvas e corações. Mas aí veio a surpresa: maturidade não tem nada a ver com isso! Tem a ver com aceitar os altos e baixos da vida e saber lidar com eles. Lulu disse que “a vida vem em ondas como o mar” e vem mesmo! Tem dias que estamos no topo, mas são os dias que não estamos que nos ensinam a valorizar os bons momentos. Aprendi que dá pra seguir feliz e madura com meu quarto de criança.

3. Amor-próprio rocks

Sabe quando você olha no espelho e sempre dá de cara com um “mas”? “Meu cabelo tá legal, mas tô horrorosa com essa espinha no meio do rosto” ou “Essa roupa é linda, mas tá me engordando” são frases que eu dizia com uma certa frequência. A pior de todas nem precisava de espelho “Sou boa, mas não boa o suficiente”
Hoje mal consigo acreditar em como pensei tanta bobagem por tanto tempo! Lógico que há dias que a gente não se sente a mais bonita ou a mais inteligente. Às vezes a vida dá uma rasteira e a gente cai no chão, mas isso não é motivo pra não acreditar. Não precisa se acomodar, mas precisa se amar pelo que você é no momento!
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, mas a vida precisa ser mais delícia do que dor. E definitivamente precisa ser mais amor. Amor-próprio, claro.

4. Palavrinhas mágicas: por favor, desculpa e obrigada

Às vezes as coisas são tão automáticas na nossa vida que nem nos damos conta da diferença que essas palavras fazem (não é a toa que elas são mágicas!). Pedir por favor, desculpa e agradecer são, nada mais que, reconhecer a importância do outro. E quem não gosta de ser reconhecido não é mesmo?

Meu conselho é: seja grato, elogie, agradeça, não ache que as pessoas têm obrigação de fazer algo por você só porque estão sendo pagos ou porque são seus pais. Fazemos esse tipo de coisa achando que vão agradar o outro, mas por incrível que pareça são afagos na nossa alma. Experimente!

5. Não guardo dinheiro, vou guardar rancor?

Pelamor de Deuzinho, saber disso (e praticar isso) é mais importante que usar filtro solar!

Esses dias li uma coisa sensacional: se você tem um problema com alguém, quem tem um problema é você. Tem verdade mais verdadeira que essa? Me agarrar aos rastros de raiva e rancor que as pessoas deixavam na minha vida não fazia diferença pra elas, mas piorava drasticamente minha saúde (física e mental). Não levo mais o fantasma pra cama e a vida ficou mais leve assim. Xô energia negativa!






Me despeço de 2015 com o coração apertado. Foi, de longe, o melhor ano da minha vida! Espero que 2016 me dê saúde e paz, porque o resto já sei que posso correr atrás.

Aos leitores do blog que resistiram 2015, prometo fazer diferente e atualizar com mais frequência esse espacinho no próximo ano. Do fundo do coração, obrigada pela companhia ♥

Sorte

Ontem foi meu aniversário. Finalmente completei os 27 anos que estava morrendo de medo de encarar. Bobagem! A verdade é que a cada 12 meses a vida nos dá uma oportunidade de escrever um livro novo, com 365 páginas branquinhas, doidas para serem rabiscadas com novos planos, tentativas, acertos e, é claro, fracassos – afinal, como aprender alguma coisa sem eles?
No meu dia eu acordei e fui logo recebendo uma chuva de beijos do cachorro mais lindo do mundo. Não importa quando, é sempre uma festa pro Lucca quando eu levanto da cama e o nosso dia começa. Depois fui levada até a cozinha pelo cheiro de café recém passado e recebi um abraço bem forte do meu pai, que tinha levantado ainda mais cedo para ir à padaria. Não sei quantos tipos de pães, broas e bolos estavam em cima da mesa. Tomamos café juntos, como de costume, e fui levar o Lucca pra passear. Na volta a minha cama estava cheia de presentes e junto a eles, minha mãe e meu irmão, aguardado para também me darem um abraço. Toda minha família ficou do meu lado, acompanhando a minha reação enquanto eu descobria o que tinha dentro de cada embrulho. Depois fomos a uma feirinha com música ao vivo, café da manhã e muita coisa artesanal num bairro um pouco distante da minha casa, mas que eu adoro e vou sempre que tenho oportunidade. 
Durante o dia recebi tantas mensagens e ligações que não consegui atender todas. Não, não foram taaaaantas assim, mas é que cada uma delas durou muito tempo e é disso que eu me orgulho. Ora, pacotes ilimitados estão aí pra isso mesmo e papo foi o que não faltou. Ainda bem! Jamais suportaria começar essa nova fase da vida com diálogos prontos, daqueles que parecem leituras de script. Essa definitivamente não seria eu! Gosto de perguntar, contar, rir e relembrar. 
Eis que em uma dessas conversas me desejaram sorte. Estranho, porque sorte eu tenho de sobra. Questionei e fui surpreendida pela resposta mais estranha que já ouvi na vida. Aparentemente eu preciso de sorte “para encontrar um trabalho e fazer alguma coisa na vida porque já passou da hora de não fazer nada”.
A resposta que eu não dei é que estive quase a vida inteira sob o mesmo teto de um casal de pais maravilhosos e que se amam. E que mesmo com os nossos desentendimentos diários, posso fechar os olhos antes de dormir e agradecer a Deus pela saúde dos dois. Sei rezar e, melhor que isso, descobri que posso ir além: posso conversar com Deus. Pude escolher minha religião, minhas ideologias e meus caminhos. Não nasci sabendo aceitar as diferenças, mas aprendi a fazer isso durante a vida, o que me deixa ainda mais orgulhosa. Levanto bandeiras de causas que não são minhas – agora, mas podem vir a ser um dia – porque consigo me colocar no lugar do outro. Sei que errar é humano, mas pedir desculpas é divino.

Tenho pessoas espalhadas por vários cantos desse mundão que se lembram de mim com carinho, não porque é meu aniversário e o Facebook ou qualquer outro aplicativo fez um alerta, mas porque puderam rir comigo ou chorar no meu ombro. Essas pessoas compartilham partes lindas e importantes da vida delas comigo e quando eu penso nisso meu olho enche d’água porque… puta que pariu, é bom demais fazer parte do sorriso de alguém! Sinto que as pessoas me desejam coisas boas e realmente emitem boas vibrações, o resto vira pó perto de tanta positividade.

Tive a chance de conhecer um pouquinho todas as regiões do meu país antes de atravessar o oceano e me apaixonar por outras culturas que eu nem imaginava existir, foi quando tive certeza que tenho asas ao invés de raiz e agora posso voar sem medo. Tenho pessoas que abraçam meus sonhos, não importa o quão sem pé nem cabeça eles sejam. Sei o que é ser tão amada que às vezes tenho a sensação de flutuar e ainda consigo me dar conta desse privilégio. E mesmo com os meus milhões de defeitos, quando olho pro lado sempre encontro alguém pronto pra me estender as mãos, secar minhas lágrimas e caminhar ao meu lado.

Que tipo de louca eu seria para dispensar um desejo de sorte, não é mesmo? Mas tenho um palpite de que já nasci com o bumbum virado pra lua.

E sei lá, talvez ontem ter sorte seria ser só um pouquinho surda.

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Se eu soubesse…

Se eu soubesse, teria acordado mais cedo e te dado um beijo de bom dia. Depois teria feito o seu café da manhã e descido até garagem pra te desejar um ótimo dia de trabalho. Aproveitaria a manhã para levar o Lucca pra passear no parque, sorrindo e sentindo o arzinho gelado de outono.
Se eu pudesse prever, teria feito cafuné até você dormir. Você adorava e dificilmente eu te negava esse carinho. Depois teria colocado meu pé gelado atrás do seu joelho, porque era assim que você costumava me esquentar. 
Se alguém me contasse, teria te olhado dormir durante toda a semana, só pra não perder nenhum detalhe do seu rosto. Não teria reclamado do seu ronco barulhento e teria assistido seu campeonato de videogame – que pra mim era tão bobo e pra você, tão importante – ao invés de fazer as unhas. 
Se pudesse imaginar, teria lavado os cabelos e me perfumado antes de você chegar em casa e vestido o meu melhor pijama – e sorriso – para te receber. Teria feito companhia enquanto você jantava apressado pra se esparramar no sofá e perguntado sobre o seu dia. E não reclamaria da sua obsessão por selfies.
Se eu percebesse os sinais, teria assistido mais filmes agarradinha, mesmo no calor, mesmo aqueles filmes chatos de ação, e não negaria uma taça de vinho – ou um copo de cerveja, tanto faz. Teria passado menos tempo no celular e no computador. Teria atendido as suas ligações com mais atenção. Teria reclamado menos, feito menos planos e vivido mais o hoje.
E agora que sei que é impossível prever o futuro, queria, pelo menos saber lidar com o presente.
Mas vai passar, tem que passar!
Tempo, tempo, seja generoso comigo…

O Casamento da Minha Melhor Amiga

Um dia acordei e decidi – ou descobri – que era do mundo sem me preocupar muito com o peso que isso teria. Ser assim, sem sem raiz, é doce. É vestir as asas e partir; é pensar a vida muito mais delícia do que dor. Mas eu não me dei conta que liberdade era sinônimo de perder os momentos mais importantes da vida de quem eu amo e, sem querer, excluir essas pessoas dos meus melhores momentos.
É estranho perceber que quanto mais conheço o mundo, maior ele fica, porque me apaixono ainda mais pelas coisas que vejo. Outros gostos, cores e cheiros que jamais passaram pela minha cabeça agora estão aqui, constantemente martelando a falta que me fazem. E, é claro, outros corações. A cada novo destino, descubro pessoas tão incríveis que não me permito dizer adeus. E assim vou largando pedacinhos de mim por todos os lugares que estive. É tão injusto saber que abraçar o mundo deixou o meu mundo para sempre incompleto! Mas esse, meus queridos, é o preço justo que se paga por querer voar.
E foi numa dessas que eu conheci a Gre. Enquanto procurava um lar pra chamar de meu numa ilha fria do outro lado do Atlântico. Assim que entrei no apartamento 116 lá estava ela, escutando Pearl Jam espalhada no sofá preto na sala. Foi quando eu tive certeza que seríamos grandes amigas. Amigas do tipo de saem de casa mancando pra comprar presente de aniversário, amigas do tipo que fazem “comida de mãe” quando você tá doente. Amigas do tipo que organizam uma festa só pra você convidar o carinha que você tá de olho. Melhores amigas. Foi no meu ombro que ela chorou quando soube que não poderia dar um último beijo no avô. Foi ela que me abraçou quando minha mãe disse que não conseguiria embarcar pra Irlanda. Foi ela que me ligou só pra saber como eu estava quando o Luã me disse adeus e voltou pro Brasil. E foi nela o meu último abraço, regado a lágrimas, na ilha que eu mais amo nesse mundo.
Voltei pra casa, ela não. Do lado de lá a minha melhor amiga conheceu o cara da vida dela. Um cara tão igual a ela – porque só um casal com tamanha sintonia decidiria, sem combinar, que iam vestir vermelho e preto no próprio casamento! ♥ – que me deixou tranquila. Eu sei que ela está em boas mãos. E ele também. Essa tarde eles oficializaram a união, consequência do sentimento mais puro que existe: o amor
Gre, meu coração ficou pequeninho do lado de cá, mas os meus pensamentos estavam em vocês, enviando o tempo inteiro boas energias e desejando uma(s) pint(s) de Guinness.

5 Filmes na Irlanda

Tento não escrever muito sobre Dublin no blog. Isso porque eu já voltei pro Brasil há 3 anos e se eu continuasse falando de lá aqui as pessoas teriam a ideia genuína que eu sou uma pessoa bitolada.
Maaaaaas em março me dou o direito de falar de Dublin, da Irlanda e da minha vida lá quantas vezes eu quiser porque foi em março de 2011 que eu embarquei pra minha ilha preferida no mundo inteiro – e em março do outro ano voltei pra casa. (E este também é o mês de São Patrício, então dá um desconto!). 
Confesso que desde a volta me apaguei à fotos, filmes e livros que têm a Irlanda como cenário e ao Google Maps, claro não só pra matar um pouco da saudade, mas porque a ilha é mesmo um lugar encantador. Além disso, é bem legal ver os personagens em lugares que já pisamos.

Infelizmente não tá cheio de filmes irlandeses perdidos por aí e, às vezes, embora ele seja gravado na Irlanda, a história “acontece” no Reino Unido já que os dois lugares têm características semelhantes – cá pra nós, é um pouco difícil Dublin competir com Londres em termos de popularidade.

Mas depois de ∼anos de pesquisa∼ taí minha lista:

Leap Year • Casa Comigo? (2010)

Segundo a tradição irlandesa, um homem não pode recusar um pedido feito no dia 29 de fevereiro, data que só acontece a cada 4 anos (ano bissexto = leap year). Por isso Anna vai até Dublin atrás do namorado Jeremy para pedi-lo em casamento. O problema é que no meio do caminho tinha um irlandês, tinha um irlandês muito gato! no meio do caminho.

Once • Apenas uma Vez (2006)


Um músico de rua – em Dublin tem muuuitos artistas de rua, lá isso é bem comum – inseguro para apresentar suas próprias músicas conhece uma jovem estrangeira recém-chegada à cidade. Entre os dois nasce uma bela amizade.

Os 3 próximos filmes são inspirados em livros e “inspirado em”, na linguagem dos pessoal do cinema, quer dizer “nada a ver com”. Como o foco aqui é conhecer/matar saudade da ilha e do sotaque irlandês (why not?), todos valem a pena.

Tara Road • Tara Road – Aprendendo a Viver (2005)

Marilyn, uma americana que perdeu o filho, e Ria, uma irlandesa traída pelo marido, são duas desconhecidas que tentam escapar dos seus problemas trocando de casa e assumindo uma a vida da outra por alguns meses. 

Love, Rosie • Simplesmente Acontece (2014)



Rosie e Alex são vizinhos e melhores amigos de infância, mas tudo muda quando eles terminam o segundo grau e ela descobre que está grávida, enquanto ele vai para Harvard estudar medicina. Mesmo com a distância o casal continua fazendo parte da vida um do outro, compartilhando altos e baixos e descobrem que existe algo além de amizade entre os dois.


(Embora o filme seja gravado na Irlanda – quem conhece Dublin consegue identificar vários cantos da cidade  e os personagens do livro morarem na capital irlandesa, no filme eles falam que são ingleses.) 

P.S. Eu te Amo • P.S. I Love You (2008)

Esse filme é o melhor filme da lista porque tem o Gerard Butler. Isso é tudo.


Mentira, não é tudo! Tem o Gerard Butler cantando a melhor música irlandesa de todos os tempos ♥♥♥ Sério, se você já foi num pub irlandês vai ter que concordar comigo!

Gerry e Holly são casados e completamente apaixonados, até que Gerry perde a luta contra o câncer algumas semanas antes do aniversário de 30 anos da mulher. Para ajudá-la a superar sua ausência, o marido prepara uma série de 10 cartas que chegam até Holly misteriosamente.

Os livros Love, Rosie e P.S. I Love You, que inspiraram os filmes homônimos, são da mesma autora, a irlandesa Cecelia Ahern.


BÔNUS: Game of Thrones • A Guerra dos Tronos 


Em Westeros, na Europa Medieval, as estações podem durar décadas. A história gira em torno da batalha dos Sete Reinos, onde famílias nobres lutam pelo Trono de Ferro, símbolo de poder absoluto e cujo a posse garante a sobrevivência durante o rigoroso inverno que está por vir. A série está em sua 5ª temporada. 

GoT é filmada, entre outros países, na Irlanda… do Norte. Hahaha. (Pra quem não sabe, a Irlanda do Norte pertence ao Reino Unido e não à República da Irlanda). Mas o lugar é frio, cheio de árvores e verde e também tem Irlanda no nome, enfim, dá pra matar saudade. 

Particularmente não acho muita graça na história – salvo o Tyrion Lannister (Peter Dinklage), que qualquer um gostaria de ter como melhor amigo. Sei que a série é um sucesso, mas guerra, luta e cabeça voando não são exatamente o tipo de coisa que eu gosto de assistir. Mas quando eu tô à toa o que é bem frequente assisto só pra matar a saudade (e também pra entender os memes do Facebook, os professores da pós, as conversas e piadas dos amigos nerds… enfim, para viver em sociedade).

Se você conhecer livros ou filmes que se passam na Irlanda deixa aqui nos comentários! 🙂 Ou então me passa o telefone de um centro de reabilitação porque tá complicado…

Minhateca, melhor que Facebook

Num belo dia cheio de tédio uma amiga me perguntou “Você já ouviu falar do Minhateca?”. Não, eu nunca tinha ouvido falar do site mudou minha forma de ler e consumir livros – e desbancou o Facebook dos mais acessados.

Minhateca é um site gratuito de armazenamento em nuvem e blá, blá, blá – confesso que não sei muita coisa já que fui apresentada de cara ao que ele oferece de melhor. A ideia é quase a mesma do Dropbox e GoogleDrive – esses você conhece, né? –, a diferença é que o espaço é ilimitado. Você cria um perfil com seu e-mail ou usa a conta do Facebook pra subir (upload) e organizar arquivos.
É muito fácil de usar. Feito o cadastro, surgem três pastas: documentos, galerias e privada. Você também pode criar novas pastas e todas elas podem ser compartilhadas com os seus amigos ou abertas para os usuários do site (no caso das privadas você recebe uma senha).
Eu, particularmente, uso o site pra apenas uma coisa: livros!
A ideia de ler livros virtuais nunca me chamou atenção. Ler no desktop, laptop, iPad ou em qualquer outra máquina chegava a me irritar. Meu negócio era pegar o livro, sentir o peso, correr as páginas, avaliar o papel, a fonte, a capa, colecionar marcadores… Tem um ditado que diz que a gente julga o livro pela capa e eu confesso que sou um pouco assim.
Fui aquela criança que passava hoooras na livraria e saía com a sacola cheia e que a mãe se orgulhava em dizer “Ela adora ler!”. A era virtual só serviu pra facilitar as minhas compras, que passaram a ser online, e me informar sobre os lançamentos. O site da Submarino esteve os meus favoritos por muito tempo e não podia ter uma promoção que lá ia eu, sem nem calcular o frete. Acontece que quando a gente vira gente grande a fatura do cartão passa a fazer parte da nossa realidade, ou seja, estourar o limite com livros deixou de ser uma opção. É aí que o Minhateca entra.
Lá tenho acesso a filmes, músicas e muitos, muitos livros, tudo de graça! Basta escrever o nome e escolher o formato. Tá difícil de entender? Então olha só:

Depois de se cadastrar e fazer o login no site1) deixe na opção usuários, se você estiver procurando um amigo, ou mude para arquivos, se estiver procurando um livro (como eu uso pra buscar apenas livros, vou explicar assim, ok?); 2) escreva o nome do livro ou do autor; 3) selecione a opção todos (porque estamos procurando por PDF e ePubs, que são os formatos mais indicados para livros); 4) clique em buscar.

5) selecione o formato específico (eu indico PDF, se for pra ler no computador, e ePub, se for ler no eReader); 6) clique em buscar.

7) todos os arquivos da lista serão do mesmo formato (eu costumo baixar sempre os primeiros, mas nem sei qual é o critério de organização do site); 8) clique na seta azul para baixar o arquivo desejado, ele irá para a pasta de transferências/downloads do seu computador.

Agora só restaram dois tipos de leitores nesse blog: os que amaram a ideia e os que acham um absurdo baixar livros de graça na internet. E o trabalho do autor? E o lucro da editora? Sinto te decepcionar, mas não dá pra comprar mais de 1 livro por mês se cada lançamento não sai por menos de R$60. Quem sabe quando eu for rica…

››› Update ‹‹‹

Depois de várias mudanças, ficou decidido que qualquer arquivo de até 5Mbs pode ser baixado livremente (sem a necessidade de compra de pacote) no Minhateca. Mas durante esse período de mudanças eu acabei conhecendo o Lê Livros, um site super organizado e tem desde livros clássico até lançamentos. Aliás, era desse grupo a grande maioria dos livros que eu baixava no Minhateca.